O AC/DC é uma dessas bandas que fazem parte do álbum de ouro do rock'n'roll. Fora isso, é incontestável a qualidade de nogócio: são bons de verdade, hot, sexy, mara mara mara.
Quando foi anunciado o show no Brasil eu pensei: "putz, eu preciso ir nesse negócio". Eu fiquei devendo à minha família toda, fiz a minha mãe se aliar às minhas mutretas, mas no fim, deu tudo certo.
Partimos cedo para Guaratinguetá, de onde sairia a excursão-facada da qual fazíamos parte. Pessoas legais, tiozões do rock, trocas de ingressos entre nós pra todo mundo poder entrar pelo mesmo portão, AC/DC no rádio até enjoar, Scorpions pra tentar fazer todo mundo chorar, trânsito caótico, altos papos. Chegamos no Morumbi lá pra mais de 18h. Todo mundo nervoso achando que não ia conseguir um bom lugar.
O céu ficou preto, o vento começou a soprar impetuoso. Achei que fosse chover toda a água do céu. Os vendedores de capa de chuva empurravam as capinhas pra gente comprar. eu fui guerreira, não comprei. até porque eu tava numa super torcida pra chover muito mesmo [ia ser problemático, com certeza, molharia meu dinheiro, meus documentos, minha câmera, meu celular, mas eu queria]. Infelizmente, não choveu.
O Nasi fez uma espécie de abertura atirando pra todos os lados: Raul Seixas, The Clash, The Stooges. Tudo bem, eu gosto da voz do cara. Ainda teve Andreas Kisser (aquele pão! como diria Bráulio).
Um intervalo. Logo o show começaria. Tava todo mundo naquela expectativa. O estádio cheiasso. As luzes se apagaram. Que coisa linda. Você olhava em volta e via aquele tanto de chifrinhos vermelhos piscando. Lindo, lindo.
O show abriu com Rock'n'Roll Train, como já era esperado. Uma abertura muito legal mesmo. Eu não vou falar de cada música aqui porque isso não é bem uma resenha. E todas foram maravilhosas. Não consigo apontar uma. Eu fiquei muito feliz quando tocou Hell Ain't a Bad Place To Be. Tenho um carinho grande e estranho por essa música. Eu tava seca pra que tocasse Thunderstruck também. E a galera não parava de puxar. Cada vez que dava uma paradinha, a galera puxava: "Thunder! Thunder!". O Brian até disse "hold on". Quando finalmente tocaram, putz, fomos todos ao delírio ('gostas do delírio?').
Foi tudo lindo, tudo mara, tudo incrível. É um show mesmo, digno de arenas, estádios. O sino, a locomotiva, a plataforma do Angus, a Rosie, os bonés de chifrinhos, os canhões, caramba, tudo foi um show. Um momento incrível foi ver o Angus solando ali pertinho de mim, mandando ver mesmo, mega em forma como se ainda tivesse 20 anos de idade. Um dia meu filho vai estar ouvindo AC/DC, vai virar pra mim e vai dizer: "caramba, mãe, esse guitarrista é muito bom!". Daí vou rir da cara dele e dizer: "Há! Eu vi esse cara tocar bem perto dos meus olhos!"
Uma coisa muito legal foram os fogos no fim. Demos feliz ano novo uns pros outros hahaha.
Acabado o show, demorou pra gente chegar até a van. Tava meio longe, tava muito cheio, tinha gente provocando o amiguinho por causa de time (que coisa feia!). O Morumbi era uma multidão preta. Tinha gente de outras cores, lógico, mas é que o preto predominava. Uma bagunça de gente vendendo bebidas, cachorros-quentes, hamburgueres, camisetas, até caneca.
Quando eu cheguei na van eu tava morta. Meu pescoço doía (sabe como é, eu sou baixa, tive que me esticar muito pra ver o show), as costas, as "cadeiras". Mas o que valeu a pena! A galera ia chegando, comentando. Todo mundo feliz.
Lanchonete de beira de estrada. Coca-cola. Um treco de palmito. Papos sobre a minha banda. Viagem longa. Sono. Mais altos papos. Guará. Despedidas. Se espremer no carro. Sete pessoas espremidas. Que merda, esqueci o dramin. Tô morta. Capengar até São Lourenço. O sono venceu o medo de morrer.
6h30 da matina. Cafezinho na padaria pra dar aquela revigorada. Deu tudo certo. Foi tudo lindo. Foi tudo incrível. Um dia muito maravilhoso da minha vida.
Antes de sair, em Guará.
Em São Paulo, pertinho do estádio.
Are you ready to rock?
Depois do mundo dar muitas voltas, a MÁFIA finalmente conseguiu ir juntinha ao AC/DC :D
A faxineira do Angus.
Doidera!
Brian, Rosie e Brian de novo.
MY EYES ARE BLIND BUT I CAN SEE.